FERNANDO PESSOA (ORTÓNIMO)

"Escrever é esquecer. A literatura é a meneira mais agradável de ignorar a vida."

Os temas dominantes en Pessoa xiran en volta da perplexidade do home ante a vida, saudosismo, identificación co mar, reflexión sobre a arte poética, a vida como viaxe, etc. Poemas máis destacados: “Cancioneiro”, “Mensagem”.

 

 

Autopsicografia”

No suxerente neoloxismo que dá título a este poema destacan dous elementos: “auto” e “Psicografía”, alusivos á poesía (escrita) como actualizadora da psique do poeta. O finximento de Pessoa é unha forma de enmascarar o desconcerto que experimenta o poeta ao descubrir a incerteza do coñecemento e saber que non hai criterios da verdade.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

 

 

"Ó mar salgado"

(O mar forma parte da historia de Portugal, tanto dos seus triunfos como dos fracasos, e o poeta invoca a este mar salgado como tránsito de dor e abismo, necesario para podermos alcanzar o soño do ceo)

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.