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Alberto Caeiro |
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"O Mundo não
se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo..."
“Nascido em maio de 1914 é mestre de todos os heterônimos”,
Alberto Caeiro é o poeta bucólico, voltado para a natureza
(as flores, os regatos, os prados, etc.) e as cousas puras. A súa
poesía é espontánea, instintiva. Identifica a realidade
coa experiencia concreta e procura trasmitirnos unha visión núa
e inocente do mundo. Para Caeiro a sabedoría está en gozar
da vida, sen profundar no sentido das cousas. Procura o pracer, mais
sen emoción aparente, pois é consciente do desencanto
que o destino traza á condición humana e a única
saída consiste en adoptar unha actitude escéptica. Estilo
simple, tendencia ao prosaísmo e coloquialismo. Poemas máis
destacados: “O guardador de rebanhos”, “O pastor amoroso”.
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"O rio que corre pola minha aldea"
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De "O
guardador de rebanhos"
O Tejo
é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha
aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé
dele.
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"Navegar é preciso.
Viver não é preciso."
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Actividades
sobre o poema
1. O poema estrutúrase en torno dunha oposición, cal é?
2. Esta oposición determina unha visión da realidade antagónica.
Coméntaa. Cal será o pensamento de Caeiro ao respecto? Coñeces
algunha corrente filosófico-relixiosa que presente puntos coincidentes
con esta forma de contemplar o mundo? Dá a túa opinión
sobre esta doutrina.
3. Que versos sintetizan a idea esencial do poeta neste texto?
4. Que elementos no poema remiten a tópicos literarios? Comenta
un destes tópicos.
5. Indica referencias á historia de Portugal no texto
6. Que diferencia, canto á linguaxe, revela a denominación
“Tejo”/ “rio que corre pola minha aldeia”? Que
sentido pode ter tal diferenza?
7. Sinala recursos que doten o texto de ritmo poético. Indica outros
recursos literarios do texto.
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De "O guardador de rebanhos"

(O seguinte texto mostra a vontade do poeta de non cuestionar a realidade
e vivir coa mesma impasibilidade da natureza.)
«Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa ?»
«Que é, vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz ?»
«Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.»
«Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.»
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"Há metafísica
bastante em não pensar em nada"
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De "poemas inconjuntos"
Não desejei senão estar ao sol ou à
chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que
são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.
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